Sobre o silêncio e outros espaços

Espaços. Gosto de escrever sobre o silêncio. Eu sei, o silêncio não é lá novidade. Já foi tudo. Música, jogo de tênis, entrevista na TV, despedidas.

Mas frequentemente, o silêncio é paisagem.

Iceberg bebendo o mar, sol derretido na montanha, o coração de um barco procurando o nascer das ondas.

Estes silêncios, de se olhar, são mais fáceis: basta deixar as pupilas se apaixonarem.

Focado no silêncio

Ultimamente, tenho me focado no silêncio da cidade. É ela que sussurra os mais escondidos silêncios.

Dos carros, na pressa de levar a pressa para qualquer canto. Das casas, onde sonhos se atritam em busca de um diálogo que os permita existir.

espaços

Das calçadas, nos passos que valsam descombinados por destinos a querer direção.

Silêncio fascinante

Cada pessoa é um silêncio fascinante. E a cidade nos obriga a lidar, cotidianamente, com os silêncios alheios.

Ideias e pensamentos se sobrepondo, se esbarrando, buscando coragem.

Coragem para existir, reinventar, logo depois para entender o silêncio de quem nos olha. Ao mesmo tempo para tocar nosso próprio silêncio.

Assim em tempos em que ares silenciosos calam pulmões e tudo mais que imaginamos sobre nosso próprio futuro.

Voz do silêncio

Entretanto somos ainda mais desafiados a entender a voz do silêncio. O que queremos, o que podemos, o que devemos ser.

Somos as experiências que vivenciamos.

O resultado prático de onde nos levou nossos pensamentos ao atravessar cada uma dessas experiências.

Somos, enfim, o silêncio que construimos dentro de nós.

E agora, mais do que nunca, devemos entender o motivo pelo qual nossas cidades, nossas paisagens, nossa alma, se silencia por nós.

Sobre o silêncio e outros espaços

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.