No Rio de Janeiro, a roda de samba é tradicional nos bairros boêmios da capital carioca. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Por muito tempo, a roda de samba foi vista como um recurso quase automático do calendário carnavalesco. Uma atração concentrada nos meses de verão, associada à folia de rua e aos dias oficiais do Carnaval. Nos últimos anos, no entanto, esse formato passou a ocupar um papel mais estratégico dentro dos bares, deixando de ser evento isolado para se tornar parte estruturante do negócio.
Em diferentes cidades brasileiras, a roda de samba ganhou status de ferramenta de posicionamento, ocupação inteligente de horários e construção de identidade. Ao apostar no formato ao longo do ano, bares buscam ampliar o tempo de permanência do público e criar uma experiência reconhecível, que vai além do consumo tradicional de comida e bebida.
Em Belo Horizonte, o Saruê exemplifica essa escolha consciente. Para Pedro Costa, proprietário do bar, a roda de samba cria uma relação diferente com o cliente. Segundo ele, a música estabelece um ambiente que convida à permanência e antecipa a chegada do público, já que a programação começa logo após o almoço.
Esse tempo maior dentro do bar se torna estratégico. A experiência musical passa a ser o eixo central da proposta, influenciando o perfil do público e a dinâmica de consumo. Ao mesmo tempo, a decisão exige clareza. Apostar em roda de samba não é neutro. Parte do público não se identifica com música ao vivo e pode deixar de frequentar o espaço. Em contrapartida, quem gosta passa a ser mais exigente e cria expectativa constante pela programação.
Por isso, Pedro destaca que a roda de samba precisa ser encarada como um projeto de longo prazo. Não se trata de colocar um grupo em um único domingo esperando resultado imediato. É um formato que precisa de tempo para se consolidar. Quando a identidade se firma, a relação com o público se fortalece. Interromper depois tende a impactar diretamente o faturamento.
A presença da roda de samba amplia o tempo de permanência, mas isso não significa, necessariamente, aumento do ticket médio. A estratégia passa a ser de volume. As pessoas ficam mais tempo no bar, mas nem sempre consomem mais a cada pedido. O interesse do público se divide entre comida, bebida e o espetáculo musical.
Esse comportamento exige ajustes operacionais. Durante a roda de samba, o cliente costuma demorar mais para se deslocar até o balcão, mesmo quando o copo está vazio. Por isso, soluções como baldes de cerveja, combos e vendas antecipadas funcionam melhor, pois permitem o consumo contínuo sem interrupção da experiência.
O espaço físico também influencia o resultado. A roda de samba tem forte apelo para o público em pé, que quer circular, dançar e se aproximar dos músicos. Ambientes totalmente sentados tendem a afastar esse perfil. Espaços híbridos, que permitem sentar e circular, costumam funcionar melhor e ainda aumentam a capacidade da casa, fator importante diante do custo dos artistas.
Outro ponto que entra na equação é a fidelização. Muitas vezes, o público segue o artista e não necessariamente o bar. O cliente retorna, mas a lealdade pode estar mais ligada à atração do que ao espaço. Isso exige planejamento e consistência na curadoria musical.
Com a chegada do Carnaval, a roda de samba ganha ainda mais destaque. Mesmo assim, Pedro Costa alerta para os riscos de iniciar esse tipo de programação apenas para aproveitar o período. O público tende a preferir bares que já possuem histórico com samba, estrutura adequada e artistas conhecidos.
Começar uma roda de samba apenas no Carnaval exige investimento alto em comunicação e envolve risco. Na prática, os primeiros eventos funcionam como aprendizado. O início costuma gerar prejuízo, depois vem o equilíbrio e só então o formato começa a se pagar. Chegar ao Carnaval sem esse processo prévio pode comprometer o resultado financeiro.
Para casas que já trabalham com samba, o período abre oportunidades pontuais. Programações próximas à dispersão dos blocos, por exemplo, não competem com a rua, mas complementam a experiência de quem busca continuar a festa em um espaço estruturado.
No Rio de Janeiro, o Baródromo, no entorno do Maracanã, mostra como a roda de samba pode se conectar de forma contínua à cultura da cidade. Além da programação musical, o espaço oferece aulas gratuitas de samba no pé aos domingos, integradas à agenda da casa. A proposta aproxima o público da dança, dos sambas de enredo e da memória do Carnaval carioca, fortalecendo o vínculo cultural.
Para Pedro Costa, o samba não depende do Carnaval para existir. A roda de samba é perene e pode manter o bar movimentado ao longo de todo o ano. O período carnavalesco ajuda em alguns casos, mas não é determinante. Há também um público que prefere ambientes mais estruturados durante a folia, embora essa demanda não seja majoritária, já que muitas pessoas viajam.
Com planejamento, identidade clara e entendimento do público, a roda de samba se consolida como uma estratégia relevante para bares em todo o país. Mais do que uma atração sazonal, ela se afirma como ferramenta de convivência, posicionamento e construção de valor contínuo.
Primeiramente com a chegada do verão, as altas temperaturas e o aumento da umidade trazem…
Com deslocamentos tão longos quanto os da maior metrópole do país, trânsito da capital mineira…
Um concurso como ferramenta de posicionamento
Muitas pessoas sofrem com dívidas e falta de controle, mas pequenos hábitos já ajudam a…
Menos madrugada, mais encontros diurnos: cafeterias ganham protagonismo em Belo Horizonte e revelam uma nova…
7 Dicas de como caminhar corretamente para queimar gordura corporal Por que aprender a caminhar…