O que as buscas no Pinterest em 2025 revelam sobre a decoração de 2026
Foto; Crédito: Bernardo Schor
O Pinterest se consolidou, nos últimos anos, como um dos mais precisos termômetros globais de comportamento ligado ao morar. Diferente de outras redes, ele não reflete apenas o que está em alta no presente, mas aquilo que as pessoas desejam para o futuro. As milhões de buscas realizadas ao longo de 2025 ajudam a decifrar sonhos, inquietações e novas formas de se relacionar com a casa. A leitura desses dados, especialmente a partir de relatórios como o Pinterest Predicts, permite antecipar com clareza as tendências de decoração que devem ganhar força em 2026.
Mais do que indicar estilos ou paletas de cores, essas buscas revelam uma mudança profunda de mentalidade. A casa deixa de ser apenas um cenário estético e passa a funcionar como extensão da identidade, do afeto e do bem-estar emocional. Nesse contexto, decorar não é mais sobre copiar referências, mas sobre construir narrativas pessoais por meio dos espaços.
A força da decoração eclética e afetiva
Entre os movimentos mais fortes identificados nas buscas de 2025 está a valorização da decoração eclética e afetiva, muitas vezes associada ao conceito de Mix & Maximalist. Esse movimento surge como um contraponto direto à padronização excessiva dos interiores minimalistas que dominaram a última década. As pessoas passaram a buscar ambientes que contem histórias, misturando estilos, épocas e referências culturais.
Objetos de família, peças garimpadas, obras de artistas locais e móveis com marcas do tempo ganham protagonismo. A lógica aqui não é acumular, mas curar. Cada item precisa ter significado, memória ou conexão emocional. Assim, a casa se transforma em um retrato íntimo de quem a habita, com camadas visuais e afetivas que se sobrepõem de forma natural.
O retorno das cores intensas como linguagem emocional
As buscas por cores vibrantes cresceram de forma consistente em 2025, com destaque especial para os tons de vermelho, como o chamado Cherry Red. Diferente do uso exagerado de cores fortes no passado, agora elas aparecem de forma mais consciente e estratégica. Um sofá, uma parede, uma porta ou até um detalhe arquitetônico se tornam pontos de energia dentro de ambientes mais equilibrados.
Essa tendência revela uma necessidade clara de expressão. Em tempos de excesso de estímulos digitais, a cor passa a ser um elemento de presença física, capaz de provocar sensações e marcar identidade. Em 2026, o uso consciente da cor tende a se consolidar como ferramenta emocional e não apenas decorativa.
Natureza, sustentabilidade e conforto sensorial
Outro eixo central identificado nas buscas do Pinterest é a estética natural e sustentável, muitas vezes agrupada sob o conceito de Terra Futura. Materiais como madeira, fibras naturais, cerâmica artesanal, pedras e tecidos orgânicos aparecem associados a ambientes que priorizam conforto, equilíbrio e conexão com a natureza.
Mais do que uma tendência visual, trata-se de uma resposta ao desejo por desaceleração. Plantas deixam de ser acessórios e passam a integrar o projeto arquitetônico. A iluminação natural é valorizada, assim como a ventilação cruzada e o uso consciente de recursos. Em 2026, sustentabilidade deixa de ser discurso e se torna prática cotidiana dentro do morar.
DIY e customização como estética autoral
As buscas por DIY e customização mostram que fazer com as próprias mãos deixou de ser apenas uma estratégia de economia. Pintar móveis, adaptar peças antigas, criar objetos decorativos ou reinterpretar itens prontos passa a ser entendido como linguagem estética. O feito à mão carrega imperfeições, mas também autenticidade.
Essa tendência reforça a ideia de que a casa não precisa estar “pronta” o tempo todo. Ela pode evoluir junto com quem vive nela. Em 2026, a customização tende a ganhar ainda mais espaço como símbolo de autonomia criativa e identidade.
O floral e o clássico reinterpretados
Estampas florais, tecidos acolhedores e papéis de parede voltam a aparecer com força nas buscas, mas agora sob uma leitura contemporânea. O floral deixa de ser literal e assume formas mais orgânicas, abstratas ou ampliadas, criando ambientes sensoriais e afetivos.
Em paralelo, elementos clássicos ressurgem dentro do movimento conhecido como Rococo Revival. Molduras, espelhos ornamentados e detalhes arquitetônicos retornam de forma pontual e equilibrada, dialogando com peças modernas. O clássico não aparece como nostalgia, mas como repertório cultural reinterpretado com leveza.
O que essas tendências apontam para 2026
A partir do comportamento de busca observado em 2025, algumas direções ficam claras para 2026. Os ambientes tendem a ser mais personalizados e autorais, com uso consciente da cor e integração entre natureza, conforto e bem-estar. O feito à mão e o customizado ganham valor simbólico, enquanto referências clássicas são incorporadas de forma contemporânea.
Mais do que excesso, o que se vê é curadoria, intenção e significado. A casa passa a ser pensada como espaço de acolhimento emocional, onde estética e função caminham juntas. Em vez de seguir tendências de forma literal, o foco estará em interpretá-las de maneira pessoal.
A casa como expressão de identidade
No fundo, o que os dados do Pinterest revelam é uma mudança cultural profunda. Em 2026, a casa será cada vez mais entendida como extensão da identidade de quem vive nela. Decorar deixa de ser um exercício de consumo e se transforma em um processo de autoconhecimento. Ambientes passam a dialogar com história, sensibilidade e qualidade de vida, refletindo escolhas mais conscientes e afetivas.
Bernardo Schor é arquiteto, com mais de 40 anos de atuação e participação em 14 edições da CASACOR Rio de Janeiro. Desenvolve projetos residenciais com foco em identidade, longevidade estética e equilíbrio entre função e emoção.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
