Xueli: chinesa albina abandonada pelos pais ganha os holofotes da moda

Xueli: chinesa albina

O albinismo se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, cabelo e nos olhos. No mundo, são mais de 20 mil pessoas que nascem com essa doença genética. Sendo que ocorre em todos os grupos raciais.

Mas você acha que hoje em dia as pessoas já têm acesso à informação e o preconceito é amenizado? Na verdade, mesmo com toda evolução as minorias seguem sofrendo estigma social. Para ilustrar tudo isso, basta pensar nos olhares desconfiados que acompanham os albinos pelas ruas.

A tentativa constante de invisibilidade a essas pessoas tem entrado em debate. Contudo, falta muito para que esses indivíduos vivam sem a marginalização social.

A inviabilidade aos albinos no mundo

Na China, por exemplo, ainda hoje (em pleno ano de 2021), o albinismo é considerado uma maldição. A ideia de um fardo social faz com que muitas crianças sejam abandonadas em lares escondidos e distantes da família.

Uma criança albina que, há 16 anos, passou por essa experiência e ganhou os olhares do mundo. Xueli foi deixada em um desses lares.Mas, aos 3 anos, a menina foi adotada por uma família holandesa.

Assim, ela se mudou para a Holanda e foi viver com a nova mãe e irmã. A menina cresceu. Os looks incríveis chamaram atenção e o mundo da moda abraçou sua causa, mais um tanto de meritocracia (Fotos).

A moda como bandeira social

Até que aos 11 anos, ela ganhou espaço numa plataforma para discutir preconceitos. Com isso, passou a luchar pela conscientização do albinismo. Assim, conseguiu provocar a atenção do mundo, inspirar outras pessoas a não ter medo da sua beleza natural.

A visibilidade trouxe a Vogue e, consequentemente, o trabalho com grandes fotógrafos. Dessa forma, grandes marcas do mundo da moda se associaram à Xueli.

Acompanhe trechos da entrevista com Xueli

O albinismo pode causar sérios problemas de visão. Tanto que a menina tem apenas 10% da visão e assim é resistente à luz forte. Nos olhos fechados para se proteger. “Quase nunca abro os olhos durante as sessões de fotos, porque a luz quase sempre é muito forte. Quando eu abro meus olhos, eu principalmente os aperto”, ela escreveu em uma legenda no Instagram.

Em uma matéria para a BBC, ela falou da história e do abandono ainda bebê. “Na modelagem, parecer diferente é uma bênção, não uma maldição. Isso me dá uma plataforma para aumentar a conscientização sobre o albinismo”, dispara.

Ela explicou sobre os padrões no mundo da moda: “Há modelos que têm quase dois metros e meio e são magros. Mas agora as pessoas com deficiências ou diferenças aparecem mais na mídia e isso é ótimo”, diz.

As mudanças de padrão de beleza

Contudo, ela deixou claro que isso deveria ser normal. Já que modelos com albinismo costumam ser estereotipados em fotos para retratar anjos, aliás ela falou sobre o quão isso a deixa triste. “Especialmente porque perpetua aquelas crenças que põem em perigo a vida de crianças com albinismo em países como a Tanzânia e o Malawi.”

Xueli, hoje representada pela: Zebedee Management. Nela, há pessoas com deficiência e diferenças visíveis. A agência está tentando mudar o jogo nos setores da moda, da publicidade e de outras mídias para que suas campanhas sejam tão diversas quanto nossa sociedade.

A Zebedee Management escreve em seu site: “A deficiência muitas vezes foi deixada de fora do debate sobre a diversidade. Muitas vezes recebemos chamadas de elenco em busca de ‘diversidade’, mas sem menção à deficiência. A deficiência parece ser o último tabu. No entanto, queremos mudar isso. Queremos que seja a norma que a publicidade para pessoas com deficiência se torne comum.”

Xueli: Instagram: xueli_a

Agência: Instagram: Zebedee Management

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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