Agronegócio: comida ou commodity?

  • por em 17 de setembro de 2020

Em contrapartida temos o agronegócio cada vez mais forte!

Ai você pensa: O agronegócio também produz comida? Não, na verdade ele produz commodities!

A maior parte desses itens produzidos pela indústria vai para exportação.

A soja, que é a maior monocultura produzida no Brasil, é um exemplo de como funciona a cadeia das commodities.

80% de toda soja produzida no país vira ração para o sistema de “produção” animal. Esse grão é a principal fonte de proteína para os animais que são alimentados com ração.

A importância do consumo local: https://lifestyle.uai.com.br/saude/a-importancia-do-consumo-local/

Com isso vemos hoje nossos biomas serem desmatados e queimados para darem espaço para as monoculturas e a criação de pasto para pecuária.

A soja e o boi são algumas das maiores commodities do Brasil.

Mas, o que é commodity?

Traduzindo de maneira rápida: commodity é mercadoria.

Mercadorias que são produzidas em alta escala, têm importância mundial e sobrevivem da economia mundial.

Se existe uma demanda grande pelo produto, o preço sobe e os produtores ganham com isso! Se houver uma crise , a demanda diminui e os produtores têm prejuízo.

Atualmente temos o exemplo dos altos preços do arroz e óleo de soja . O dólar alto incentiva a exportação. 5kg de arroz por 40,00 !

Para que as empresas brasileiras consigam manter os alimentos aqui (mercado interno) é necessário pagar mais e isso claramente é repassado para o consumidor.

Entendendo melhor…

“A bancada ruralista e o agronegócio dizem que estão produzindo, exportando, gerando riqueza, mas estamos produzindo dois ou três produtos.

O Brasil, apesar de exportar uma parte significativa do que produz, não gera o suficiente para a sua própria população.

Essa discussão entre produção de alimentos e insegurança alimentar não passa só pela produção em si, mas pelo que se produz, como se produz e para quem se produz.

Pensar em produção de alimento, portanto não de grãos, significa pensar na produção da diversidade, e não necessariamente significa aumentar a quantidade de produção.

No caso do feijão, o Brasil era produtor autossuficiente – inclusive, nós exportávamos.

Mas a lógica passa pelo preço, e no mercado internacional, a demanda pela soja, e também os seus preços, estão mais elevados.

Portanto, estão substituindo os cultivos. Por exemplo, o pequeno agricultor do centro-oeste, onde se produzia feijão, não consegue mais cultivar o alimento, porque a soja levou para a região uma lagarta branca, que não faz mal a ela, mas ataca o feijão.

A questão chave não é que precisamos de mais terras. Quando esse argumento é utilizado pelo setor patronal, ele sempre está pensado na floresta, nos biomas, nas áreas de preservação, quando, na verdade, o sistema do agronegócio já incorporou uma área tão grande, que a gente poderia, só em termos produtivistas, dobrar a produção ou mais sem avançar sobre o cerrado, sobre a Mata Atlântica, sobre a Amazônia.” Sergio Sauer

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.