Pitty: entrevista com a rainha do rock brasileiro

Pitty: entrevista com a rainha do rock brasileiro

Letra do clipe Submersa cai nas graças do público e leva a cantora ao topo

Jornal Estado de Minas – Portal Uai

“Me perdi por aqui em alguma esquina desse apartamento. Pedaços de mim pelos cômodos. Eu não sei voltar”.

Com a letra Submersa, do álbum Matriz, Pitty surge nua e fez do clipe tombar a internet.

Primeiramente lançado em 2019, muitos até defendem uma antecipação mental de dias de isolamento. Gravado em casa, ela canta as letras enquanto se afunda nas águas de uma bandeira azulada.

https://youtu.be/s3a01G-xurI

Em entrevista com Lucas Machado, ela falou sobre o rock no cenário nacional e na mídia e mudanças.

Lucas Machado: Na sua opinião, você acha que o rock perdeu o contato com a mídia em geral e até mesmo com as de maiores audiências?

PITTY: Acho que existem ciclos, os estilos musicais vão se alternando na grande mídia.

Todavia são as ondas. O rock no Brasil tem seu público cativo e volta e meia aparece alguma banda que faz o que a gente chama de “crossover”, que sai do gueto e extrapola o segmento, tornando-se popular.

Mas, na verdade, isso não importa muito, quem gosta de rock vai continuar gostando independentemente de estar na mídia ou não. E as bandas têm é que fazer, sem ficar nessa ‘nóia’.

LM: Nos clipes e em algumas músicas, o tema mais pautado é a loucura, o
descontrole, a incompreensão. Com tanto sucesso, você se sente ainda com muita
vontade de falar sobre isso?

Lucas Machado: Nos clipes e em algumas músicas, o tema mais pautado é a loucura, o descontrole, a incompreensão. Com tanto sucesso, você se sente ainda com muita vontade de falar sobre isso?

PITTY: O sucesso não tem nada a ver com isso, eu acho. Os temas são reflexões profundas e muito internas, questões a serem destrinchadas, resolvidas.

Não tem a ver com nada externo. Mas não são apenas esses assuntos, as coisas vão mais além. É existencialista, é coisa de gente. Eu gosto de falar sobre gente.

Opinião

Lucas Machado: Na sua opinião, há uma pressão para que a mulher que deseja ser levada a sério expresse menos a sua vaidade e exiba menos a sua beleza? Você sente pressão para domar a beleza e a vaidade para ser levada a sério em um mundo tão masculino?

PITTY: Não mais. E é uma faca de dois gumes, porque algumas de nós sofrem pressão exatamente pelo oposto: para serem perfeitas, magras, gostosas, unha feita, cabelo escovado.

Então, de todo lado há pressão. A luta é exatamente para que nenhuma dessas coisas aconteça. Para que a mulher expresse ou não sua vaidade quando quiser, do jeito que quiser e se quiser.

Lucas Machado: Segundo grandes nomes da música com as diversas formas de divulgação de músicas vemos uma mudança e amadurecimento por parte dos artistas e do público, como você enxerga isso na sua carreira?

PITTY: Acredito que sim, é consequência natural do tempo, da estrada e da vivência. Mas nunca acaba, o aprendizado nunca tem fim.

Lucas Machado: Sua letras trazem problemas de anomalias sociais vistas no Brasil a muito anos. Mas como você vê essas revoluções nas ruas? Você acha que houve realmente um despertar por parte das autoridades?

PITTY: Acho que no mínimo se assustaram, o que é ótimo. Vamos ver se há algum reflexo nas urnas agora.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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