Rapper Emicida: #VidasNegrasImportam

Rapper paulista Emicida tenta orientar negros a não aglomerarem pelas ruas. Contudo, movimento atrai pessoas e há confronto com a polícia

George Floyd

“Não consigo respirar”. Antes de tudo, você é capaz de entender a dimensão dessa frase entoada por George Floyd minutos antes de ser morto por um policial branco, nos Estados Unidos? Foi então, que o vulcão explodiu.

Assim, o mundo foi às ruas e manifestações antirracistas encheram os pulmões de força para gritar algo que #VidasNegrasImportam.

Aqui no Brasil manifestações também marcaram esse ponto de luta. Contudo, o rapper Emicida – um dos grandes representantes do movimento negro no país – levou muita gente à reflexão.

Primeiramente, ele se manifestou na última segunda-feira no Papo de Segunda, do Canal GNT, que o brasileiro, infelizmente precisa ser pautado pelos EUA para se movimentar em prol de uma causa.

Para evidenciar isso, ele trouxe o assassinato de João Pedro – menino metralhado no Rio de Janeiro após operação mal articulada pela polícia -, que não gerou tanta comoção por aqui e, sim, foi tratado como mais um número para estatística.

Sobre os protestos de hoje (7/6), o rapper voltou a chamar atenção para um questão racional, pois deixou claro que não iria ao protesto marcado para hoje.

Isso porque, de acordo com ele, muitos infectologistas deixaram claro que esse tipo de aglomeração poderia representar um aumento de 150% nos casos de Covid-19.

“Uma aglomeração agora, por mais legítima que seja, vai elevar o número de contágio dentro das comunidades. Tá morrendo um brasileiro por minuto e a gente tá falando só de Covid-19.

Quem acha que a estrutura racista do Brasil vai ser desligada como um interruptor está viajando legal na maionese. Não cheguei até aqui para agir na emoção. Não é para ignorar a sua indignação, mas é para ser estratégico e inteligente […]”, falou em vídeo.

Neste domingo, várias cidades registraram movimentos em prol e contrário ao governo Bolsonaro, ao antifascismo e antirracismo. Ao longo do dia, grupos entram em confronto e, para especialistas, a movimentação pode representar um dejavú do que ocorrer em 2013 pelas ruas brasileiras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.