Entrevista com CarinaJoana: estilo de vida no mar de uma velejadora que vive a bordo

Primeiramente, o estilo de vida no mar de CarinaJoana é fascinante devido à sua personalidade. Sendo que o nome surgiu devido a uma escolha afetiva da velejadora.

Isso porque, a cantora portuguesa Maria João é uma inspiração para ela que tem um estilo de vida no mar.

A ideia do “novo nome” surgiu com a descoberta do álbum “Cor”. Inclusive, esse é um dos prediletos de CarinaJoana e a embala pelas águas.

O estilo de vida no mar de CarinaJoana

Formada em desenho Industrial e projetos de produtos. Segundo ela, o curso foi o preparatório para a vida a bordo. Já que foi nesse contexto que houve os primeiros contatos com as ferramentas.

Ela nasceu no Rio de Janeiro, terra famosa por criar sintonia com o estilo de vida no mar. Ela sonhou, por muitos anos, em ser artista. Contudo, decidiu morar no barco.

A vida a bordo do mar

A vida a bordo do Criloa em Cape to Rio 2023 e o estilo de vida no mar são pontos que saltam logo no primeiro contato. Por isso, conversei diretamente com ela para entender sobre todos os processos.

Atualmente, ela flutua por Ilha Grande, Paraty, Ubatuba e Ilhabela. Segundo ela, o início de toda a relação com o mar surgiu ainda quando ela era bebê. Já que ela já era levada ao barco, que “parece um lugar que faz parte do corpo”. Acompanhe a entrevista completa a seguir!

O que mais te inspira?

A sensação de amar. Mas escrevo esse “amar” para aquele momento que sentimos que a vida está fluindo. Portanto, para crescer e brilhar. Isso acontece.

Por exemplo, quando vejo uma coisa muito bonita e benfeita/projetada. Ou em momentos que se desenrolam levemente, de acordo com o que desejamos. Além disso, quando uma paisagem bonita aparece trazendo calma no meio de uma confusão da vida corrida.

O que o mar simboliza para você?

Não sei direito. Quando comecei a morar a bordo um dos meus objetivos era me aproximar do mar. Até porque, existia uma força que me segurava quando pensava em entrar no mar.

Não via como perigo, principalmente nas situações do mar que estava vivendo. Porém era como se eu não conseguisse entrar no mar, mergulhar. Só para ilustrar é como se o meu corpo não suportasse estar na água.

Em resumo, o mar é mistério. Atualmente, conheço o que é ser uma pessoa que sente o mar. Assim, conheço a força e a liberdade de um corpo salgado. Sinto que o estilo de vida no no mar faz a ponte para minha beleza. Essa foi uma grande conquista nesse meu processo de vida a bordo.

Por gentileza, fale um breve relato como é uma vida morando no mar

Minha palavra para a vida no mar é intensidade. O simples fato de estar a bordo nos expõe a um grande jogo de equilíbrio. Já que é o tempo todo equilibrando o movimento, bem como as emoções nas estações, no calor, frio.

Assim, tudo é sentido intensamente na pele. A dinâmica da vida a bordo é regida pelo meio ambiente. Tudo isso de uma forma bastante direta e clara, não pelo relógio ou calendário que viram bons acessórios (acessórios!). Mas esse fluxo imprime uma beleza imensa à rotina. Eu AMO isso!

Como é sua rotina?

Minha vida é muito focada no barco. Sendo assim, foco em cuidar do barco, viver o barco, usar o barco. Mas, minha maior atenção está sempre em “quem sou” em cada tarefa, em cada decisão. Ou seja, respeitar quem sou e o que quero ser é meu maior desafio.

Nessa busca, encontrei-me com a astrologia, que é uma curiosidade que surgiu pelo hábito de acompanhar a previsão do tempo. A bordo, estamos sempre conectadas com a previsão do tempo. Já que saber disso é fundamental para nossa segurança. Desenvolvo esse fluxo de comunicação com o tempo e, de alguma forma, eu já sou ligada ao estudo do tarot há
muito tempo.

Assim, eu me divirto e me comunico comigo, por meio da interação com essas duas ferramentas.

Qual música rola no seu playlist

“As maçãs que vêm” – Bárbara Eugênia
“Mar ao fundo” – Ava Rocha
“Desapegada” – Tássia Reis

*Um músico uma letra de música

Caetano Veloso é a essência e a poesia que guia o meu ver o mundo.

*Um livro

“O conto da ilha desconhecida”, José Saramago

*Um filme

“Meteoro” – Diego de la Texera 2007

*Uma cidade

Rio de Janeiro

Como funciona sua alimentação

A bordo, eu descobri o prazer de cozinhar. Dessa forma, conheci a minha dinâmica de alimentação.

Minha alimentação é bastante viva, com frutas, legumes, verduras e ovos. Além disso, tenho uma coleção dos temperos favoritos e aí vou na cozinha criativa do Criloa, sem muitas regras.

Tudo bem simples, saboreado no processo e na medida para não sobrar.Na verdade, brinco que minha dieta é à base de ovo e banana, sem eles eu fico meio ansiosa (risos).

Qual esporte você pratica, sem ser a navegação?

Talvez eu praticasse algum esporte se morasse em terra. Caso eu tivesse uma rotina de escritório, mas aqui a rotina diária trabalha meu corpo, me alimenta de ar livre. Não, não pratico esporte. Levo a vida sedentária que meu estilo de vida no mar permite ter.

Imagine só: depois de alguns dias de chuva, hoje o sol apareceu. Aliás, a previsão era de calor para hoje e amanhã. Então, fui lavar roupa.

Isso significa que irei remando até a praia com as roupas e os baldes. Vou movimentar as roupas na água, torcer, encher e esvaziar baldes várias vezes. O corpo vai se alongando. Assim, esforçando e exercitando. Já que carrego galões de água para abastecer os tanques, para chegar em terra e sempre tenho que remar.

O barco coloca a gente numa rotina muito saudável para o corpo. Isso é uma das coisas que me fazem bastante feliz aqui.

Fale um pouco do projeto de ensinar mulheres a navegar.

Sou uma mulher que mora sozinha a bordo, desvinculada das estruturas de Marinas na maior parte do tempo. Isso há 6 anos. Velejo sozinha no meu barco, moro a bordo, me envolvo na manutenção do barco e também gosto de velejar em regatas. Nesse sentido, o lugar onde conseguimos elaborar a técnica e medir nosso desempenho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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