Lucas Machado entrevista: Gabriel O Pensador

Jornal Estado de Minas – Portal Uai

Um dos pioneiros do movimento hip-hop no Brasil. Gabriel O Pensador tem adotado tom mais leve nas canções e prega a união

Primeiramente em 2017, durante o governo de Michel Temer, Gabriel O Pensador lançou o hit Tô Feliz (Matei o presidente) que se tornou um hino para muitas frentes de protesto.

Contudo, depois da eleição de Jair Bolsonaro, o pensador decidiu falar
em união e paz. Tanto que a canção “A cura está no coração” foi laçada em
parceria com a mineira Cynthia Luz e ganhou o topo de mais ouvidas no
Spotify.

De acordo com o rapper, em entrevista, a saída para a crise seria os governos se entenderem. “Me deixa triste ver que existe uma briga de ego e poder, e a gente acaba sofrendo as consequências”. Em conversa, o cantor falou sobre mercado, composições e questões sociais.

LUCAS MACHADO: Você já falou que ama Belo Horizonte. E ai..

Gabriel O Pensador: A cidade é muito legal e eu sempre reencontro alguns
fãs e reconheço eles. Em Belo Horizonte, sempre batendo recorde de repetições de vários tipos entre shows menores e maiores. Mas sempre com uma vibe, muito boa eu tenho muitos amigos, já me sinto em casa.

LM: Sua mãe, Belisa Ribeiro é jornalista. A primeira mulher a fazer
telejornal no Brasil na TV Globo e levou para a TV nomes como Zózimo
e Miriam Leitão
.

Jornalismo

GP: O jornalismo é a profissão que mais admiro e aprendi com ela, minha mãe é uma jornalista muito importante e foi referência como mulher na TV em telejornais, já que não haviam mulheres antes.

Mas, além disso, deixou grandes marcas não só pela sua inteligência. Foi uma mulher de destaque e eu admiro muito isso. Da parte da minha mãe ainda veio o meu avô, que era poeta e compositor de samba.

Entretanto tenho referências muito fortes. Mas minha avó já até escreveu um livro. Eu acabei seguindo com esse gosto de escrever e pela comunicação em geral.

LM: Você usa em uma de suas músicas o refrão da banda Charlie
Brown Jr. O que você tem para nos falar do Chorão?

Chorão

GP: Primeiramente eu acho que pessoas autênticas fazem músicas autênticas. Elas são de verdade e fazem tudo de coração. Essas são pessoas que vivem mais emoção do que razão e isso é muito forte, na minha opinião.

O Chorão era um cara muito sincero em tudo, tem até aquela famosa frase. “Quem é de verdade sabe quem é de mentira”.

Enfim, na música existe de tudo algumas mais fabricadas, outras mais frias e algumas de coração, digamos que mais viscerais, como a Cássia Eller, Chorão e Cazuza.

LM: Nós brasileiros já nascermos na crise, o que você acha da nossa
atual situação de uma maneira em geral.

Brasil

GP: Você disse tudo. Já nascemos na crise. A gente vive em um país que está
com problemas crônicos e a corrupção é a mãe de tantos outros problemas.
A impunidade é a mãe da corrupção. A gente torce para a impunidade diminuir, pois ela é enorme. A gente sabe que não vai acabar e não é só na política.

Mas é importante exaltar a importância de cada um, logo na falta de ética e de escrúpulos no jeitinho brasileiro de querer se dar bem em tudo, em cima dos outros.

Além disso contribui para o país se afundar mais, não são só os políticos. Nós todos, como cidadãos, temos que evoluir bastante no nosso comportamento seja no respeito ao próximo e à natureza.

Dessa forma tudo se reflete quando eles querem aprovar leis que promovem o desmatamento que facilitam a poluição que anistiam os crimes ambientais.

A população não aceita isso por que ela também não tem uma visão de
preservação. Tem gente que joga lixo no chão na praia. A culpa não é só dos
políticos eles são o reflexo da nossa postura.

Por isso, eu admiro muito essa juventude que está se informado mais que está menos alienada que é um ponto que questiono desde meu primeiro disco, “Alienação do povo brasileiro”.

Temos uma parcela da população indo para as ruas sendo bem corajosa, com atitude os estudantes, professores, e aqui eu não estou falando de posição política de partido de esquerda ou de direita, mas, sim, de se informar de cada um ter uma posição não importa qual seja.
Isso é necessário.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.